domingo, 6 de julho de 2014

O Outro Lado Da Vagina



 Fotografia: Evelyn Ruman



O Outro Lado Da Vagina
by Roberto Terra
     
Recentemente, conheci o texto de Eliane Brum chamado VAGINA (link abaixo) calma, não se trata de nenhuma nota em relação ao funk, nem uma nova série do pornô brasileiro, nem um novo tipo de esculacho, tão comum, em nossa mídia. Trata-se de um texto corajoso que aborda uma questão pouco (nenhum pouco) discutida. Por quê? Porque todo questionamento que seja provocador encontra resistência diante de assuntos que são tabus, paradigmas e alvo de preconceitos, portanto, gera desinteresse. Sinceramente, não estamos abertos ao diálogo e discussão virou sinônimo de “tiro, porrada e bomba” (violência) e o que sobrará para a humanidade que desconhece a importância da construção, da formação de um pensamento?
O que é, está sendo ou foi, a revolução sexual ocidental da mulher? Por que a vagina é tão ameaçadora e desconhecida? Por que se conhece tão pouco da mulher que posa nua para as revistas masculinas? Qual é a vantagem em ser um símbolo sexual (objeto) numa sociedade patriarcal que despreza, vulgariza e desrespeita a vagina como um órgão e símbolo do feminino? São questões que estão longe de serem respondidas, porque simplesmente não interessa numa sociedade do estupro a mulher (o ser humano) que está sendo fotografada para ser devorada num banheiro, refeita em fotoshop para não ser criticada por “defeito de fabricação” e vendida à exaustão e substituída quando se tornar obsoleta, velha. Por que há o desejo tão grande (enorme) de ser visto, ser desejado a qualquer preço? As mulheres conhecem suas vaginas?
     As agressões contra a mulher não ganham destaque nos jornais, aliás, tudo aquilo que o feminismo engloba (as minorias) é desprezado. Quando critico a trilogia de E. L. James penso na obrigatoriedade performática que é imposta à mulher como garantia de aprovação e felicidade conjugal, sem nenhuma opção de mudança, óbvio, trata-se apenas de uma reprodução jovem das princesas infantis dos contos de fadas, que apenas cresceu, mas continua sendo um corpo explorado até a putrefação.
     A discussão sobre o feminismo possui poucos adeptos. Acredita-se que o feminismo é apenas uma guerra de sexos, hobby de lésbicas ou mulheres feias (fora do padrão de beleza) mal-amadas e virou vídeos de piadinhas infames no YouTube. É triste e trágico que o sexismo gritante em nossa sociedade mumifique a todos e não nos permita encontrar no outro a continuação de nós mesmos.

Conheça o trabalho da fotógrafa Evelyn Ruman: Sangro, logo existo.  em: http://www.evelynrumanfoto.com/#!landscape/cyuu

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